Atenção com os custos fixos

Atenção com os custos fixos

Na atividade comercial podemos entender que os custos fixos são os valores consumidos ou aplicados independentemente da empresa estar vendendo maior ou menor quantidade.

Por exemplo: aluguel da loja, conta de energia elétrica, conta de telefone (desde que não se utilize o telefone para vendas), salários e encargos sociais do pessoal administrativo, empréstimo bancário de longo prazo, as retiradas pró-labore dos sócios, entre outros. Ou seja, as despesas com o aluguel da loja, a conta de energia elétrica, a conta de telefone, os salários e encargos sociais, o empréstimo bancário e as retiradas pró-labore dos sócios terão de ser desembolsadas ao final do mês independentemente das vendas da empresa, quer tenha sido boas ou fracas. Os custos variáveis, como o nome mesmo diz, variam, para mais ou para menos, de acordo com as vendas e são eles, por exemplo: as comissões dos vendedores, as despesas comerciais como um todo e o custo da mercadoria, supondo neste caso, e é o correto, que as compras das mercadorias sejam feitas em sintonia com as vendas.

Ao contrário dos custos variáveis, os custos fixos têm volume variável decrescente, para cada número maior de quantidade vendida. Isso significa a sua diminuição relativa na hipótese de um aumento das vendas, conforme abaixo demonstrado.

A B

R$ % R$ %

(.) Vendas Brutas 2.000.000 100 3.000.000 100

(-) Impostos diretos 393.000 19,6 590.000 19,6

(=) Vendas Líquidas 1.607.000 80 2.410.000 80

(-) Total Custo Variável 1.300.000 65 1.950.000 65

. Mercadoria 800.000 40 1.200.000 40

. Comissões 200.000 10 300.000 10

. Comerciais 300.000 15 450.000 15

(=) M. de Contribuição 307.000 15 460.000 15

(-) Total Custo Fixo 300.000 15 300.000 10

. Pessoal + encargos 150.000 7,5 150.000 5

. Pró-labore 100.000 5 100.000 3

. Empréstimo 50.000 3 50.000 2

(=) Res. Operacional 7.000 0,4 160.000 5

O custo fixo total representa, no exemplo A, 15% das vendas brutas enquanto significa apenas 10% no exemplo B, diferença esta provocada simplesmente pelo aumento das vendas.

O raciocínio inverso também é verdadeiro, e perigoso, ou seja, a redução das vendas provocará um aumento relativo do custo fixo. Verifica-se, ainda, no exemplo, uma elevação positiva no resultado operacional (lucro), decorrente do incremento nas vendas e da permanência dos valores do custo fixo.

Entendido esta importante diferença, podemos concluir que o risco de uma empresa é o seu custo fixo, porque são obrigações assumidas e existentes independentes do volume de vendas. Portanto, para o bom desempenho econômico da organização empresarial é necessário uma atenção especial com o seu custo fixo e possuir a empresa controles e informações que avaliem periódica e constantemente sua evolução.

Concluindo, seria por demais interessante que as empresas procurassem tornar, o mais possível, os seus custos fixos em custos variáveis, minimizando, assim, o risco da insolvência.

Jornal da ACOMACOPE, Janeiro/Fevereiro – Ano IV
José Augusto Mendonça – Economista, consultor de empresas e diretor da JM Consultoria & Pesquisa