Entrevista ao Informativo Unimed Guararapes

Entrevista ao Informativo Unimed Guararapes

José Augusto Mendonça – Economista, consultor de empresas e diretor da JM Consultoria & Pesquisa.Formado em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco, com pós-graduação em Análise Organizacional pela Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro, o executivo José Augusto Mendonça, sócio da empresa de consultoria que leva o seu nome, vem desde junho deste ano prestando serviços de consultoria empresarial à Unimed Guararapes. Nesta entrevista, o economista fala sobre conjuntura econômica, controle de custos e medidas de fortalecimento implementadas na cooperativa.

Alguns economistas comentam que o Brasil obteve neste segundo semestre do ano uma recuperação econômica significativa, com inflação reduzida e sob controle. Alguns, inclusive, estimam que o país terá o melhor Natal dos últimos cinco anos. O senhor concorda com este cenário?

Essa estimativa foi feita considerando a análise generalizada da economia brasileira. O índice inflacionário é um indicador generalizado, não podendo ser utilizado para um segmento específico ou para a vida particular de um cidadão. Em outras palavras: quem utiliza transporte coletivo para ir ao trabalho não sente diretamente no bolso os efeitos do aumento da gasolina, ao contrário de quem tem carro e com ele se locomove diariamente.

Existem, portanto, a inflação do país e a inflação particularizada, e o que pode estar bom para alguns pode estar péssimo para outros.

Como andam as empresas de planos de saúde no país seguindo este mesmo raciocínio?

Elas também estão inseridas nesse contexto. Há aumento de custos específicos no setor que afetam sobremaneira o desempenho das empresas de assistência médica. Muitas, inclusive, estão perdendo parceiros internacionais importantes. Só para se ter uma idéia, a Agência Nacional de Saúde (ANS) autorizou reajuste das mensalidades em 5.42%, quando o aumento de medicamentos descartáveis, além de taxas instituídas, foi substancial nesse período.

É preciso, para evitar o pior, promover ajustes com a finalidade de enfrentar melhor as dificuldades de caixa.

É o que a Unimed Guararapes vem fazendo?

Sem dúvida. Nossa consultoria na Unimed Guararapes teve como objetivo realizar um diagnóstico econômico-financeiro da cooperativa para, em decorrência dos resultados, sugerir ações que intensifiquem seu fortalecimento e sua conseqüente posição no mercado.

E o que diz esse diagnóstico?

Constatamos no memento que as operações entre receita e despesa na Unimed Guararapes têm gerado resultados positivos, embora ainda possa haver dificuldade de caixa devido ao passivo anterior.

Que ações estão sendo tomadas para fortalecer a cooperativa?

A primeira delas diz respeito à estruturação comercial, medida que já sendo adotada pela diretoria da entidade. Não adianta se concentrar apenas na contenção de custos, é preciso se preocupar também em aumentar a receita, e isso é o que estamos fazendo na Unimed Guararapes através da captação de novos clientes: usuários pessoas físicas e jurídicas.

Do lado da contenção de custos, a cooperativa já vem há bastante tempo com um trabalho de controle de despesas, principalmente no que se refere aos custos hospitalares. Além disso, está sendo implementando um planejamento financeiro para administrar melhor os recursos da cooperativa.

Esse controle com os gastos hospitalares se dá de que forma?

Esses gastos envolvem hospitais, laboratórios e clínicas. A Unimed Guararapes dispõe de uma bem qualificada equipe de auditores para monitorar e coibir despesas desnecessárias, com o desenvolvimento de uma auditoria pró-ativa e renegociação das tabelas com prestadores. Existe também o Unimed em Casa, que é um programa de prevenção que tem por objetivo evitar a internação hospitalar do usuário ou reincidência do internamento. A colaboração dos médicos cooperados também é de fundamental importância na redução dos custos.

Com essa medidas podemos dizer que a saúde da Unimed Guararapes está em dia?

Essas ações sinalizam o fortalecimento da cooperativa.

Fazendo um comparativo entre os períodos de janeiro / agosto 99 a janeiro / agosto 2000, observamos que houve um acréscimo de liquidez. O endividamento, outro indicador importante para se medir a saúde da empresa, foi reduzido em janeiro / agosto deste ano, comparando-se com o mesmo período do ano passado. A lucratividade, por sua vez, obteve uma melhora substancial no mesmo comparativo. Houve ainda uma considerável redução nos custos hospitalares.

Montar uma empresa de planos de saúde no Brasil é hoje um bom ou mau negócio?

É algo que exige muita cautela, pois a interferência governamental nessa área é muito acentuada. A regulamentação é grande, o que toma muito maior o esforço para viabilizar o negócio. É preciso também profissionalismo, dedicação e experiência no ramo, pois o mercado é difícil e não comporta aventureiros. Além disso, é preciso trabalhar com números e informações que expressem a realidade e estimulem ações. Todos esses fatores são facilmente encontrados na Unimed Guararapes.

Esses cuidados são suficientes?

Diria que são fundamentais. Porém, devemos considerar aspectos negativos como as crises econômicas no país e outras situações de adversidade. Com o real, por exemplo, houve uma retirada de dinheiro circulante que afetou todos os brasileiros. Esse quadro, somado à falência do serviço público de saúde, é um complicador para quem deseja implantar empresas de assistência médica. Por outro lado, permite o surgimento no mercado de grupos de menor porte, com pouca qualificação, que terminam por tumultuar a linha de preços do mercado.

Entrevista ao Informativo Unimed Guararapes, Dezembro/2000